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Enteropatia perdedora de proteína: Por que o corpo perde albumina pelo intestino?

O que é enteropatia perdedora de proteína?

A enteropatia perdedora de proteína (EPP) é uma condição em que o organismo perde proteínas importantes, como a albumina, através do intestino. Essa perda acontece de forma excessiva e pode superar a capacidade do corpo de repor essas proteínas, levando à queda dos níveis de albumina no sangue.

Os sintomas podem incluir inchaço pelo corpo, ascite (líquido no abdome), derrame pleural, diarreia, fadiga, perda de peso e desnutrição. Em muitos casos, a condição pode causar internações recorrentes, dificuldade nutricional e impacto importante na qualidade de vida do paciente e da família.

Embora diferentes doenças possam causar essa condição, muitos casos estão relacionados a alterações do sistema linfático — especialmente em pacientes com cardiopatias congênitas e circulação de Fontan.

Como ocorre a perda de albumina pelo intestino?

O sistema linfático funciona como uma rede responsável por drenar líquidos, proteínas, gorduras e células de defesa do organismo, devolvendo esses componentes para a circulação sanguínea.

Em condições normais, a linfa produzida no intestino e no fígado drena em direção ao ducto torácico, principal vaso linfático do corpo. Em alguns pacientes com enteropatia perdedora de proteína, esse fluxo se altera. Parte da linfa passa a refluir ou extravasar para a parede intestinal, principalmente na região do duodeno, levando à perda de proteínas diretamente para o interior do intestino.

Quando suspeitar de perda de proteína pelo intestino?

Os sintomas podem variar conforme a intensidade da perda de proteínas e da doença de base. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Diarreia
  • Inchaço nas pernas, tornozelos e rosto
  • Maior risco de infecções
  • Ascite (líquido no abdome)
  • Derrame pleural
  • Cansaço
  • Perda de peso
  • Desnutrição

 

Em muitos casos, os sintomas evoluem de forma progressiva e podem impactar significativamente a qualidade de vida.

Qual a relação com a cirurgia de Fontan?

A enteropatia perdedora de proteína é uma complicação conhecida em pacientes com cardiopatias congênitas complexas, especialmente após a cirurgia de Fontan.

Nesses pacientes, o aumento crônico da pressão venosa e as alterações da circulação linfática podem sobrecarregar o sistema linfático e isso favorece o refluxo e o vazamento de linfa rica em proteínas para dentro do intestino.

A enteropatia associada à circulação de Fontan pode ser uma condição complexa e potencialmente grave, exigindo acompanhamento multidisciplinar especializado.

Quais exames avaliam o sistema linfático na enteropatia perdedora de proteína?

Um dos primeiros sinais da doença é a redução da albumina no sangue. A albumina é uma proteína importante produzida pelo fígado que é responsável por manter líquidos dentro dos vasos sanguíneos. Quando ocorre perda excessiva de proteínas pelo intestino, os níveis de albumina podem cair significativamente.

Outro exame importante é a pesquisa de alfa-1 antitripsina nas fezes. A alfa-1 antitripsina é uma proteína resistente à digestão intestinal e seu aumento nas fezes sugere perda de proteínas pelo trato gastrointestinal, ajudando no diagnóstico da enteropatia perdedora de proteína.

Além dos exames laboratoriais, métodos modernos de imagem do sistema linfático têm papel fundamental na avaliação desses pacientes. A linforressonância magnética (LinfoRM) permite estudar a circulação linfática de forma detalhada e identificar alterações como refluxos, obstruções e extravasamentos linfáticos relacionados à perda proteica intestinal.

O papel da Radiologia Intervencionista

A enteropatia perdedora de proteína é uma condição complexa que frequentemente exige acompanhamento altamente especializado e atuação multidisciplinar. O cuidado desses pacientes envolve integração entre cardiopediatras, nutricionistas, gastroenterologistas, hemodinamicistas pediátricos e Radiologistas Intervencionistas com atuação especializada em intervenções linfáticas.

Nos últimos anos, os avanços em imagem e intervenções linfáticas abriram novas possibilidades de tratamento para pacientes selecionados com enteropatia perdedora de proteína.

Em alguns casos, procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem podem identificar e tratar áreas específicas de refluxo ou vazamento linfático relacionadas à perda proteica intestinal.

Entre as abordagens utilizadas estão:

  • Embolizações linfáticas seletivas
  • Tratamento de refluxos linfáticos
  • Intervenções intra-hepáticas e periduodenais
  • Recanalização de Obstruções linfáticas
  • Procedimentos direcionados conforme o padrão anatômico de cada paciente

 

O objetivo é reduzir a perda de proteínas, melhorar os sintomas e auxiliar na recuperação clínica e nutricional do paciente.

Avaliação especializada da enteropatia perdedora de proteína

A enteropatia perdedora de proteína é uma condição complexa que pode causar impacto importante no estado nutricional, imunológico e funcional do paciente. No entanto, os avanços recentes na avaliação e no tratamento do sistema linfático abriram novas possibilidades terapêuticas para pacientes selecionados.